2ª APO

Martinho Lutero e o Cardeal Caetano, em 1557

Trabalho ministrado pelo professor Fabiano Viana da disciplina Antropologia Filosófica

 A Reforma Protestante de Martin Lutero, captando a contribuição para a ética individualista que ajuda a criar a subjetividade moderna e como esta contribui para a formação da Psicologia.

A história de Martin Lutero mostra uma realidade cuja igreja mantinha uma influência exacerbada na sociedade além de um grande acúmulo de posses de terra apoiado pelo regime feudalista atuante da época. A Reforma Protestante, não deixou de ter um cunho religioso e nem tinha como objetivo acabar com a religião. Martinho Lutero tentou trazer ao povo uma realidade mais de perto, uma série de condutas religiosas um tanto individual, com perspectivas de ser um povo livre da imposição católica, baseado no conhecimento do livro que era a base para o poder da igreja católica: a Bíblia.
Em uma época de extrema pobreza e miséria, a igreja católica condenava o acúmulo de riquezas (embora ela mesma acumulasse), e ostentava uma falsa esperança de salvação do povo realizando ações visando os interesses exclusivos da própria igreja, como a venda de Indulgências (pedaços do céu), no qual os fiéis compravam toda vez que a igreja permitia essa compra, como forma de perdão dos pecados e a garantia de um lugar no céu após a morte. O questionamento de Martinho Lutero se dá baseado nessas indulgências que não continha na Bíblia, mas que era encoberto por não haver uma propagação do conhecimento das escrituras sagradas, pois quem possuía o conhecimento deste livro sagrado era somente o clero, e sua linguagem estava em latim, dessa forma, eles usavam como forma de manipular o povo e conseguir o quisesse deles, e assim aumentar seu domínio político e monetário.
O que a reforma de Martinho Lutero trousse de bom para um povo que vivia na ignorância e pobreza? Libertação! É dessa forma que vemos a luta como forma de trazer ao povo uma chance de ser livres das cadeias da supremacia da igreja católica. Através dessa libertação, o povo pôde então -  através do conhecimento da bíblia, encontrar uma rota de conduta. Eles descobriram que durante tanto tempo foram abusados, perderam os seus direitos, diante de tanta dor e luta, a igreja era tão maligna com o ser humano,  não se podia acreditar no que estava acontecendo, a cada página lida da sagrada escritura cada pessoa tinha uma algema sendo destruída dentro de si. Quantos porquês não foram colocados na mesa naquele momento, como a mente deles estavam fervilhando; as pessoas que eles mais confiavam em que as depositavam as suas esperanças de uma vida melhor mesmo que não fosse a terra, mais no céu, eram eles os seus algozes. Por causa de dinheiro e poder, o clero não teve dó de um povo, maltratado pela vida e eles que deveriam trazer melhores condições de vida para este povo, pelo menos em termos emocionais, pois eles tinham as palavras de vida eterna, as palavras de salvação, palavras de ânimo, coragem, de forças, de expectativa, de fé. Porém, o clero preferiu ser o pior pesadelo para aquele povo. Não é por menos que esse mesmo povo depois de tudo o que sofreu, buscou respostas para os seus porquês, e muitas reflexões foram geradas nestes momentos, colocando assim uma descrença na sociedade. Através da revolta, as pessoas carentes tiveram a oportunidade de conhecer a bíblia e não mais serem sujeitados às determinações da igreja. O que mais chama atenção é como a ignorância põe um povo escravo, com a falta de conhecimentos amordaçado a justiça, encarcera a solidariedade, e demonstra a esperança. Porém Martin Lutero se indignou a essa falta de amor, não aceitava ser conivente com esse descaso que os seus companheiros religiosos tinham com a própria bíblia e com o povo. Ele não conseguia ver, que as atitudes deles não condiziam com o que estava escrito no livro sagrado, o seu espírito ficava inquieto com tanta hipocrisia e com a sua atitude ele trousse não só a libertação ao povo, como também esperança e certeza de que a verdade, o amor e solidariedade sempre vencem. Pois tudo que esta em oculto será o brilho da luz e tudo que esta em mentira, será constrangido e derrotado pela verdade, pois o tempo sempre dará conta de fazer isso.
Dessa forma, o povo que vivenciou a reforma de Lutero por meio dessa libertação começou a refletir sobre a sua vida, sua conduta e sua forma de viver, surgindo o individualismo trazendo então essa auto-reflexão. É nesse contexto e busca por novas descobertas sobre si mesmo que surge a Psicologia, quando mergulhado nessa crise, o homem conhece uma nova realidade de um Deus mais perto, de uma religião mais pessoal, consideraram a busca do melhor para si mesmos, descobrindo como poderiam ser capaz de ajudar-se a suprir as suas necessidades emocionais, os questionamentos a respeito desse homem individual e os seus porquês, recém-descobertos criando normas éticas para melhor conduzir, compreender e assegurar os direitos do individualismo, da subjetividade e até mesmo da conduta humana.
De inúmeras maneiras, o protestantismo se levou da valorização da individualidade para a adoção do individualismo. Essa reforma colocou o indivíduo no mundo, pois a vocação luterana permanecia uma tarefa estabelecida por Deus, principalmente, no desafio de cumprir as tarefas do século, através de suas ações terrenas.  Talvez nunca se tenha dito com tanta confiança de que é a fé, a fé individual que salva, e deu-se um direito gradativamente conquistado para o livre exame das Escrituras, sem a necessária intermediação da tradição. Dispensou-se gradativamente inclusive a participação nos sacramentos para a salvação. Ou seja, em outras palavras, nada mais era necessário; somente a fé individual no Salvador. A restrição da mediação da Igreja para a salvação humana, anunciada pelos protestantes, implicava a interação do indivíduo com Deus, e em completo isolamento espiritual. A eliminação dos rituais, o repúdio ao sensualismo e à emoção, o desencantamento do mundo (desmagicização) e a decorrente apreensão impessoal, racional e instrumental do homem e das suas relações, praticadas pelo mundo protestante, constroem a solidão interna do indivíduo e contribuem para a formação da Psicologia, uma ciência que surgiu para o homem obter respostas para suas dúvidas e fatos que comprovem e expliquem a origem, as causas e as transformações do mundo, visando à própria possibilidade de intensificação da experiência individualizada - a sociedade é a constituinte básica da subjetividade. Porém, esse conceito de indivíduo muitas vezes apresenta-se como uma prioridade não problematizada, tanto nas suas formulações teóricas, quanto em suas divisões profissionais. Muitas discussões travadas sob a defesa de divisões como indivíduo/sociedade, natural/social, inato/adquirido, pressupõem a existência de um indivíduo naturalizado e desenvolvem-se sem uma reflexão devida sobre essas hipóteses. Assim, a Psicologia, para entender as questões que se referem à subjetividade, deve compreender as finalidades, as instâncias e os meios pelos quais uma determinada cultura forma o indivíduo.