Trabalho ministrado pelo professora Maiesse Nunes da disciplina Métodos Quantitativos
Introdução
Embora se especialize o serviço, o profissional de Psicologia, ao atuar em ambulatório de pediatria, ainda assim deverá estar atento às múltiplas variáveis que estão atuando de modo significativo no processo de adoecimento da criança e do adolescente. Este estudo descritivo apresenta a caracterização das queixas identificadas na clientela atendida pelo serviço de Psicologia Pediátrica de um hospital universitário. Foi realizado com o objetivo de identificar variáveis relevantes para o planejamento de procedimentos de intervenção voltados a crianças e adolescentes encaminhados a serviços de Psicologia Pediátrica.
Conceitos
- Estatística: é a ciência das probabilidades, o conjunto de regras matemáticas que permitem fazer previsões sobre determinado universo estudado, a partir de uma amostragem significativa. Uma apresentação como essa tende a reforçar a idéia de que estatística é uma espécie de álgebra burocrática, cujas formulas incompreensíveis são utilizados para defender conclusões suspeitas.
Esse preconceito de estatística não vem de agora, Bejamim Disrael, político do século 19, dizia que há “mentiras deslavadas e estatísticas”. Essa é uma conclusão fácil para quem resume a estatística ao cálculo da media aritmética. Se nos aprofundarmos, porém, em alguns de seus conceitos e ferramentas básicas, que utilizam cálculos aritméticos simples, verificaremos que os cenários projetados pela estatística são mais confiáveis do que sugerem as ironias divertidas, mas um tanto raros, que lhe são dirigidas.
As vésperas das eleições, os jornais trazem a manchete: “31,6% devem votar no candidato A”. E o que isso quer dizer? Que o candidato será eleito? Para entender esse tipo de enunciado, é necessário compreender alguns conceitos de estatística, a área da matemática que cuida da probabilidade. Para entender uma pesquisa eleitoral, por exemplo, é necessário conhecer alguns conceitos: população é o universo que vai ser tema ou pesquisas eleitorais, os eleitores brasileiros como seria quase impossível consultar mais de 125 milhões de eleitores, delimita-se o número de entrevistados, o grupo que vai servir de amostragem. Amostragem é um numero reduzido de pessoas que representam a população total. Escolhe quais pessoas serão entrevistadas é um problema complexo. Se metade dos eleitores são mulheres e for mulher é um fator que interfere no voto, então metade das amostragens deve se aproximar ao Maximo das diversas classes sociais que formam a população. Desse modo, se cada pessoa entrevistada representa o voto de 100.000 pessoas da população, cada entrevistada deve ser uma amostra, a mais fiel possível, dessas 100.000 pessoas. Apesar de todo cuidado para escolher o público, e para calcular as previsões, os resultados não são exatos. Tanto que toda reportagem de jornal ou televisão, deve exibir uma margem de erro três ou quatro pontos percentuais para mais ou para menos.
Medidas de Posição
- Média Aritmética, ou simplesmente média, é uma medida que funciona como o ponto de “equilíbrio” de um conjunto de dados. É a medida de tendência central mais popular (desde o início de nossa vida escolar, já nos habituamos com seu cálculo) e pelas suas propriedades matemáticas é bastante usada na Estatística Inferencial.
- Mediana é definida como o valor que ocupa a posição central em um conjunto de dados ordenados. Consequentemente, ela tem a propriedade de dividir um conjunto de observações em duas partes iguais quanto ao número de seus elementos: o número de dados que são menores ou iguais à mediana é o mesmo que o número de dados que são maiores ou iguais a ela. Dessa maneira, afirma-se que 50% das observações que compõem um conjunto qualquer de dados estatísticos são menores ou iguais à observação correspondente à sua mediana, e, consequentemente os 50% restantes, são observações maiores ou iguais a essa medida. Ao contrário da média, a mediana não é influenciada por valores extremos, visto que ela é uma medida essencialmente vinculada à posição que ocupa no conjunto ordenado. Assim, se algum valor for demasiado grande ou pequeno – valores extremos –, estes não afetarão o cálculo da mediana, já que não alterarão a ordem. Por exemplo, sejam os conjuntos A e B: A = {1, 2, 1000} e B = {1, 2, 10}. Em ambos, a mediana é 2, ou seja, ao se trocar o 10 por 1000, ela não sofreu alteração. Por isso, quando trabalhamos com observações que apresentam valores extremos, optamos por usar a mediana ao invés da média, pois ela representará melhor dados que têm essa característica. Para encontrar a mediana em um conjunto qualquer de dados estatísticos, precisamos conhecer a posição que ela ocupa em relação aos n elementos ordenados desse conjunto.
- Moda é um conjunto de dados é o valor que aparece mais vezes, ou seja, é aquele que apresenta a maior frequência observada. Há situações nas quais ela não é única, pois pode acontecer de se ter, em uma série estatística, duas ou mais observações que tenham se destacado de forma idêntica, isto é, que tenham ocorrido com a mesma frequência máxima. Então, conforme o caso, teremos distribuições bimodais (duas modas), trimodais ou multimodais. Também é possível acontecer que todos os elementos tenham apresentado exatamente o mesmo número de ocorrências. Isso significa que não há moda, pois nenhum dado se destacou; o conjunto é, então, chamado amodal.
Medidas de Dispersão
- Desvio Padrão é a medida de dispersão mais usada, tendo em comum com o desvio médio o fato de em ambos serem considerados os desvios com relação à média. Só que, no cálculo do desvio-padrão, em lugar de serem usados os valores absolutos das discrepâncias
- Desvio Médio ou média dos desvios é igual à média aritmética dos valores absolutos dos desvios tomados em relação a uma das seguintes medidas de tendência central: média ou mediana. O desvio médio apresenta resultado mais vantajoso que as medidas de dispersão precedentes, principalmente pelo fato de, em seu cálculo, levar em consideração todos os valores da distribuição. O desvio médio, calculado levando-se em consideração os desvios em torno da mediana, é mínimo, ou seja, é menor do que qualquer desvio médio calculado com base em qualquer outra medida de tendência central. Apesar de o desvio médio expressar aceitavelmente a dispersão de uma amostra não é tão freqüentemente empregado como o desvio-padrão, o qual será estudado a seguir, pois este se adapta melhor a uma ampla gama de aplicações. Além disso, o desvio médio não considera o fato de alguns desvios serem negativos e outros positivos, pois essa medida os trata como se fossem todos positivos, como valores absolutos. Contudo, será preferível o uso do desvio médio em lugar do desvio-padrão, quando esse for indevidamente influenciado pelos desvios extremos.
Participantes da Pesquisa e Coleta de Dados
Participaram desta pesquisa 62 pacientes atendidos pelo Serviço de Psicologia de um hospital universitário (HU) na cidade Belém (Pará). Essa amostra era composta de 55 crianças (faixa etária de 1 a 12 anos) e 7 adolescentes (13 a 16 anos) de ambos os sexos (masculino= 42 e feminino= 20). Estes pacientes chegaram ao serviço de Psicologia Pediátrica através de encaminhamentos de outros serviços disponíveis no hospital, por demanda voluntária ou por encaminhamentos fornecidos por outros serviços de saúde ou estabelecimentos disponíveis na cidade. Inicialmente foi realizado um levantamento dos prontuários internos, arquivados no Serviço de Psicologia Pediátrica do HU. As informações coletadas de cada participante, referentes a dados sócio-demográficos, queixas, procedência e condução dos atendimentos, foram organizadas em tabelas. Com o objetivo de corroborar, corrigir, esclarecer ou complementar estas informações, foram realizadas entrevistas com os nove estagiários responsáveis pelos 62 casos atendidos no período a que se refere este estudo. Após o levantamento dos dados, foram feitas análises estatísticas descritivas acerca das características sócio-demográficas, da procedência, encaminhamentos realizados e resolutividade dos encaminhamentos e dos atendimentos.
Rol
1 | 3 | 5 | 6 | 8 | 9 | 11 | 12 | 12 | 16 |
1 | 3 | 5 | 6 | 8 | 9 | 12 | 12 | 13 | 16 |
1 | 4 | 5 | 6 | 8 | 10 | 12 | 12 | 13 | - |
2 | 4 | 5 | 6 | 9 | 10 | 12 | 12 | 14 | - |
2 | 4 | 5 | 7 | 9 | 10 | 12 | 12 | 14 | - |
2 | 4 | 5 | 7 | 9 | 11 | 12 | 12 | 15 | - |
K | Idade | Fi | Fac | Fri | FRI | Xi | Xi.Fi |
1 | 1 ├ 3.5 | 8 | 8 | 0.12 | 0.12 | 2.25 | 18 |
2 | 3.5├ 6.0 | 10 | 18 | 0.17 | 0.29 | 4.75 | 47.5 |
3 | 6.0├ 8.5 | 9 | 27 | 0.15 | 0.44 | 7.25 | 65.25 |
4 | 8.5├ 11 | 14 | 41 | 0.22 | 0.66 | 9.75 | 136.5 |
5 | 11 ├ 13.5 | 14 | 55 | 0.22 | 0.88 | 12.25 | 171.5 |
6 | 13.5├ 16 | 7 | 62 | 0.12 | 1.0 | 14.75 | 101.5 |
- | Σ | 62 | - | 1 | - | - | 540.5 |
- Resultados Analisados
Média X = 8,71
Moda = 14
A procedência dos casos foi dividida em interna, externa e espontânea. Consideraram-se como de procedência interna aqueles pacientes encaminhados por profissionais do HU ou por meio de atendimentos em sala de espera ou pesquisas que estavam sendo realizadas no período em questão. Os casos de procedência externa foram aqueles pacientes encaminhados de outros serviços de saúde ou estabelecimentos existentes na comunidade. Como demanda espontânea foram incluídos aqueles pacientes que eram matriculados no HU e procuraram espontaneamente pelo atendimento de Psicologia. Foi registrado que 10 casos chegaram ao atendimento psicológico através de encaminhamentos externos ao HU (16%), 16 casos eram de demanda espontânea (26%), e a maioria, 36 casos, foi encaminhada por diferentes especialidades médicas, profissionais e programas de sala de espera e de pesquisa que estavam sendo conduzidos no HU (58%). Dos 36 casos classificados como de procedência interna, 13 pacientes foram encaminhados pelo serviço de Pediatria, 5 chegaram ao atendimento com a Psicologia através de programas de sala de espera, 4 foram encaminhados por outros serviços de Psicologia presentes no hospital, 3 pelo serviço de Neuropediatria, 3 por pesquisa que estava sendo conduzida, 2 pelo Projeto Caminhar (especializado no atendimento a crianças com problemas de desenvolvimento), 2 pelo Serviço Social, 2 pela Nutrição, 1 pela Psiquiatria e 1 caso encaminhado pelo serviço de Endocrinologia.
- Conclusão
A grande variedade de queixas sugere a necessidade de sistematização do serviço, a partir de uma melhor estruturação dos atendimentos para que um serviço especializado possa aumentar a qualidade ofertada aos usuários. Para tanto, faz-se necessário estabelecer critérios para os encaminhamentos. Foi observado que, as guias de encaminhamento fornecidas pelos profissionais do HU e destinadas ao serviço de Psicologia Pediátrica apresentavam indicativos superficiais e pouco explicativos que justificassem, de fato, o próprio encaminhamento.
- Referências
http://xa.yimg.com/kq/groups/22932771/2143145043/name/4426477-Matematica-e-Realidade-Aula-08-551.pdf